sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Do livro: 
O Caldeirão de Shirley 
editado pelo 
Amazon:

Parte da obra

Criadores de sonhos reais
jbcampos

Romance  motivacional,
poético, ético e eclesial,
escrito numa linguagem
coloquial, simples de ser
lido, e entendido. Porém,
com a capacidade de mostrar
o lado singelo das vidas de seus
protagonistas, com as diferenças
entre irmãos de uma mesma lista.
Zeca nasceu de uma família pobre,
tornou-se rico o suficiente para ser
bem-sucedido na vida. Era também
poeta, entre outras de suas virtudes
de características artísticas e nobres.

O poeta era honesto

Ele era ético,
moral, estético
dentro da métrica
da  poesia  eclética.

Estio-estético-eclético
sincrético e simétrico.

Assim dizia o poeta Zeca,
ao tratar do bom-senso,
com a maior alegria,
identificando-se
com a sua
poesia
para
a
alegria
de sua
família.

Conversava e sempre ria, com seus negociadores
à maneira extremamente jovial, inteligente
e rimada, à poeta natural, nas vendas
de suas mercadorias. Realmente,
Zeca era uma figura ideal...

Assim interagia o negociante
da poesia na cortesia
de ser constante,
à sua límpida
bonomia
Pia.

Amigo meu, este tecido pode ser seu,
conquanto,  na  sua qualidade confie!
Não desejo que minha fala o ludibrie.
Sou o humilde servidor de meu Deus.

Sujeito solto e poético,
mas muito eclético,
trazia à gloriosa
simpatia e
o raro
dom
de
se
doar
às pessoas,
pela sua letrada
e misteriosa alquimia.

Seu irmão Rafael,
meio malandro,
extrassensorial.
Aí poetiza Zeca,
o jus menestrel,
veladamente
sobre o
seu
irmão,
anormal:

O Rafael, irmão canastrão
das falsas heurecas, a ludibriar
a boa  intenção pela ilusão de suas
falsas palestras, a enganar as pessoas,
e a levar a vida numa boa, porém, à toa.
Quiçá, só para irritar. Um irmão infiel.

O pontilhão

Aperceba-se caro leitor; o poder da ação
na boa intenção, movido pela fé com o desejo
de vencer na vida com todo o coração, sob o amor
da evocação.  Debaixo  de  um  modesto pontilhão
feito de madeira, se dá o início de mais uma vida,
cheia de boas maneiras e de bela carreira.
Principia mais uma nova novela como
tantas  outras  de  seres  humanos
em  suas  visões  de aquarelas,
na  criação  de altos  planos.
No tablado da bela ilusão
descortina-se no palco
da vida o irônico pano.
Tal qual a semente semeada
sobre  o  charco  curtido,  porém,
vicejando a mais linda e perfumosa flor.
“Como do espinho nasce a flor”, assim é a vida
em seus duplos sentidos. E para que esta escrita
faça  registros, mostramos-lhe a vida adquirida
por vários prismas. Nos genes de irmãos
da mesma origem; demarcados
por desvairado destino.
Então;  nasce
o menino:
José
Saulo
Varela,
“O criador
do sonho real”.
Era assim alcunhada
aquela  pessoa  especial.
Zeca  era simples  sonhador,
acredite, realizava seus sonhos.
Zefa,  sua mãe, pariu-o já  aos 45
anos de idade, parto complicado,
diz o médico provecto, custeado
pela benemérita: Judite,
senhora de
grandes
pendores,
baseando-se
na sua idade madura,
como fora o amor de Afrodite,
a deusa criadora de tantos amores.

Rafael faz parte deste familiar enredo
conforme descreve o poeta. Zeca. Neste
arremedo, caule do mesmo arvoredo.

Rafael, seu irmão, era bem mais velho,
com exemplo de vida desaconselhável,
poluído com meras quimeras. Porém,
nem por isto eram desunidos,
ao   contrário,  trocavam
altas ideias, quanto a
Zeca, era bem
ajuizado,
jamais
repreendia
o irmão querido,
o  qual  estivera por
longo  tempo  perdido,
ou de seu lar ausentado.
Porém,  sem  deixar de ser
por Zeca, seu irmão amado.

Zefa, cheia de várias tarefas.
Aquela mãe dava um duro danado,
mesmo  grávida, nunca pedia arrego,
era uma heroína de pensamento puro
a preservar os empregos conquistados
debaixo de fardo, ou de grosso pelego.

Zefa alimentava mais um sonho antigo,
ter mais  um  filho  do  sexo  masculino,
porém,  sem  fazer  imposição  sobre
seu  ego  adulterino, de  que  seria
uma condição que fugia
de seu fragilizado sentido.
Uma pequena pecadora.
O tempo passava rapidamente,
e dona Josefa em busca de realizar
o  seu sonho querido, amancebava-se
com jovens e até com velhos carcomidos,
no grande ensejo de quebrar qualquer tabu
daqueles tempos idos. Até que, naquela noite
tempestuosa, aconteceu de nascer a criança
a qual, deixaria belos e bons exemplos
de vida ilibada e transparente,
cooptados por seus bons
mentores em sua
suave mente
de amores.

Com certeza, Zeca era filho de Totó: “O Andarilho”.
De cuja criatura nada se  sabia, principalmente
sobre  a sua origem,
sequer o seu  verdadeiro nome  se  concebia.
Assim  como  Rafael, que fora criado por um pai
distraído, que por coincidência,  numa  noite  sem  transparência,
haja vista que torrencialmente chovia  e  enchia  a  enxovia.
Naquela tenebrosa noite, debaixo  daquele  pontilhão
veio o macabro açoite, sob enorme tempestade,
ali  no  barraco  de  madeira, confeccionado
com ripas de caixotes dos verdureiros
das redondezas daquela cidade,
pois, a cidade era próspera
na  cultura de  hortaliças.
Mas o barraco não era
nenhuma fortaleza
emoldurada
em treliça.

O nascimento dos irmãos
deu-se na mesma situação.
A diferença ficou por conta
do tempo, sem dar conta,
apenas; apreciou o fato
dos fedelhos natos.

O estupro da conivência
Ocorrera o “estupro”
entre as partes
delituosas.
Até porque
Zefa, coitada,
não era nada
formosa.

Apesar
De ter alardeado
o feito por pouco tempo,
após aquele acontecimento.
Porém, logo reconhecera
a sua cumplicidade
no contratempo
de sua besteira.

Duas pessoas maduras,
porém, muito  inseguras,
causaram o aparecimento
do  Realizador de Sonhos.
Era de um sonho risonho
para aquelas criaturas.
A bem da verdade
tinha ele a
alcunha de:
”O Sonhador”.

Aquela feliz criatura
sonhara com o amor
de uma belíssima flor
de realizar seu sonho
com nobilíssimo valor.

Rafael era uma verdadeira incógnita ao seu irmão Zeca, jamais
fora-lhe revelada a origem de Rafa,  rapaz levado da breca.
Zeca;  era  bem  mais  novo em idade,  e fora criado
em outra cidade.  Rafael  se alongara da mãe,
até que Zeca tornou-se bem-aventurado
na sua cidade com o apoio do povo
que aplaudia feliz, àquele renovo.

Totó o estranho andarilho

Totó era muito popular na sua cidade,
pela sua  maneira  despojada de viver.
Era aculturado, e mui bem informado,
por isto  cultuava bons atributos que
superavam  seus  velhos desacertos,
os  quais colocavam os  filósofos
em desconcerto e pensativos
a seu respeito.
Não bebia,
não fumava,
e sobrevivia
alegremente
das  sobras  doadas
pelas famílias já abastadas
que,  por ele tinham grande
respeito, pois, era um sujeito
ativo.  Por que  tanto respeito
assim por alguém sem a menor
expressividade? Totó era um ser
iluminado, e que teve um passado
glorioso, do qual falaremos mais tarde.
Naqueles dias, encarnara  um  personagem
bíblico qual se alimentava das migalhas que caíam
da  mesa de seu senhor. E com seu veio poético o qual
transmitira ao filho Zeca, através da fertilidade, o sentido
da boa genética
de real valor
ao sonir
do
sino
do
amor.

Lucas
A parábola do rico e do Lázaro

Ora, havia um homem rico que se vestia
de púrpura e de linho finíssimo, e
todos os dias se regalava
esplendidamente.

Sou: Totó, um ser quase só.
Modesto, mas transparente.
A vida para mim é um só nó.
Eis  duas vidas, dois destinos
Pobre e rico, pequeninos.
na disputa do mesmo cipó para
saírem da guerra  na  terra dos pós.
Eis a dor do dó, dó de dar dó, Oh... Dó.

Ao seu portão fora deitado um mendigo,
chamado Lázaro, todo coberto de úlceras;

Nesta esfera, terra de dolorosa chaga,
na mente do descrente à verdade vaga.

Totó não é de espírito nobre,
porém, não compreende que, Deus
a quem ama,  absurdamente repreende
àquele que não atende, quiçá, não entende,
ao andarilho frenético  que pela vaga, vaga
nesta estrada aonde a sua dor flagra.

Totó, sem ter ciência da própria cólera.

Referindo-se à justiça de Deus,
fazia-se de cego e grande ateu.
Céu, castigo e amor sempiterno
e o asqueroso e eterno inferno,
não combinavam com seu ego,
e por isto fazia da vista o breu.

O qual desejava alimentar-se com as migalhas
que caíam da mesa do rico; e os próprios
cães vinham lamber-lhe as úlceras.

Com a cabeça caduca na lua
e na amargura da rua
e na estratosfera
da biosfera.
Vocifera.

São dois pesos e duas medidas.
O que esses homens fizeram
em outras tantas vidas?
Por que aqui vieram?
Situações, por mim
incompreendidas.
Assim vociferava Totó.

Veio a morrer o mendigo, e foi
levado pelos anjos para o seio
de Abraão; morreu
também o rico, e
foi sepultado.
Lázaro, naquele estado lamentável.
O rico, noutro bem confortável.
Uma inversão incontrolável,
do  outro  lado  amargo,
ou mais agradável.
Tendo mudado
de lado.
“E agora
José”?
Pelo
poeta
poetizado.
Como é que vai ser?

No hades,
ergueu os olhos,
estando em tormentos,
e viu ao longe a Abraão,
e a Lázaro no seu seio.

Não podia sair do meio.
Não esqueça, Totó
e olhe só:
Deus
é
o
seu
esteio.

E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de
mim, e envia-me Lázaro, para que molhe a ponta do dedo
e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta
chama.

Deus açoita o filho a quem ama,

com o santo amor de sua chama.

Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que em tua vida
recebeste os teus bens, e Lázaro de igual modo os males;
agora, porém, ele aqui é consolado, e tu atormentado.

Não chore se o leite foi derramado.
Por Deus ele pode ser recuperado.

É a causa e efeito do nosso defeito
acertado do jeito; bem ou malfeito.
Então,  prestemos atenção  direito.
Eu, Totó, nem sei de que lado estou,
mas estou bem machucado de um lado,
amargurado ao relembrar do meu passado.

Encontro-me lazarento, com o coração queimado ao relento.
Porém, a minha esperança vai mui além do sofrimento.
Deus tem o poder de sustentar o firmamento.
Creio piamente no Deus benevolente
o  qual  tem o poder de acabar
com o fel deste inferno,
antes do novo
inverno.
Agora chegou a hora de Totó desatar o nó.
Agora a minha posição desmente,
passo a ser paradoxal crente.
Creio, mesmo que alheio,
neste Deus vivente.

“A esperança é a última que morre”.
Muito embora, tia Esperança já morreu
neste macabro e maculado sonho meu.
Assim a nossa vida humana decorre.

E além disso, entre nós e vós está posto um
grande abismo, de sorte que  os  que quisessem
passar daqui  para vós não poderiam, nem os de
lá passar para nós. Disse ele então: Rogo-te,
pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai
porque  tenho  cinco  irmãos; para que lhes
dê testemunho, a  fim  de  que  não venham
eles também para este lugar de tormento.

Abraão, um videiro envolto em sarmentos

Disse-lhe o pai Abraão: Sinto muito, lamento,
não posso descumprir de Deus, o mandamento.
Jamais deixe para amanhã o que pode fazer hoje.
Andareje pela vida sem se preocupar com comida
e espere de Deus sua guarida e do mal se despoje.

Disse-lhe Abraão: Têm Moisés e os profetas;
ouçam-nos. Respondeu ele: Não!  Pai  Abraão;
mas, se  alguém  dentre os  mortos for ter com
eles, hão de se arrepender. Abraão, porém, lhe
disse: Se  não  ouvem a  Moisés e aos profetas,  
tampouco acreditarão, ainda  que  ressuscite  
alguém  dentre os mortos.
Jesus jejuou e orou de joelhos no horto,
para que se ande reto, e saia do torto;
e  ao Pai clamou, sem perder o porto,
extasiado em pensamento absorto.

“Quem não ouve conselho, ouve: Coitado”.
Continua rojar ao chão, ou fica: Prostrado.

Por isso, meu irmão, levante-se e preste atenção
ao velho ditado: Deus é amor e, não faz acepção.

A morte de Totó

A natureza ajustou aquela situação dando cabo à vida
do  velho Totó.  Fora  encontrado morto num matagal
das imediações. “morte rápida de cardiopatia aguda”,
diagnosticava,  Josefa.  Melhor seria se permanecesse
muda. Zefa, já se apercebera grávida de Totó, e sentia
certa cumplicidade em sua vida e morte, então, buscou
opiniões  das  patroas, enfim cuidou de toda a papelada
obituária, e  finalmente, do sepultamento de Totó. Apesar
dos pesares, achava-se feliz por ter tirado-o da plena indigência
na qual vivera por longos anos de sua existência.
Dava um duro danado, lavando roupas de suas patroas  num trabalho árduo
e itinerante, um dia aqui, outro acolá. Seus dedos das mãos eram carcomidos
pela potassa do lavandeiro,  ou;  sabão mesmo.
Lutara muito para criar o filho, enquanto muitas vezes o fedelho
espiava-a torcendo, enxaguando, e secando as mudas de roupa.

Rafael já era criado, ou mal criado pelo pai, Israel.

A comparação
ao irmão.

Zeca comparava-se a Rafael, e repugnava a sua ausência
naquelas horas de clemência  de uma vida  de impotência.
Mas, já crescido, trabalhando e compadecido ao ver a luta
da mãe,  o moleque tecia  comparações  com  seus patrões,
empresários  bem-sucedidos  e  que ganhavam muito além
do  que  a sua  genitora. O  moleque  travesso azucrinava a
alva  cabeça da mãe com perguntas intrincadas, fazendo-a
pesquisar nos livros, que emprestava das eruditas patroas.

O pilão do $uce$$o
do qual Zeca teve ace$$o

Dona Zefa tinha por religiosa tarefa, pedir a “Xangô” o santo
do seu falecido avô,  benesses  ao  filho  querido, o seu manto
protetor. E  no  pilado  pilão guardava suas orações ao orixá
 da justiça. Assim Zeca fora inserido na privilegiada lista dos
bem-aventurados, teve seus almejados sonhos realizados!
Eles não tinham a noção do grande tesouro, que possuíam
à mão dentro do próprio lar.  Ah... Agora o Zeca, tinha novo
pai: Quintino de França, o velho padrasto de Zeca, combalido
pela idade, porém com experiência desmesurada de vida.  Seu
Tino, homem  além  de  seu tempo cabotino. Como ex-circense e
quase celestino, considerava-se um peso morto na vida de Zefa
e  Zeca. Fora mágico por quase cinquenta anos em um famoso
circo romano. Andava depressivo, até que lhe ocorreu um
maravilhoso  plano, demonstrar suas habilidades,
acompanhadas de palavras eloquentes
ao  jovem  Zeca, conjugadas  às suas mágicas.
O encantamento do garoto foi alucinante. Zefa reuniu forças
com Tino, a fim de conceder-lhe educação necessária para
que o tornasse no grande  criador  de  sonhos  genuínos.

O impostor da rua larga

Do outro lado estava Rafael
“desorientado” por Israel.
Construíam belo
Castelo de
frágil
papel.


A vida e seus ensinamentos.


Zeca punha-se a profetizar, antecipando
seu tempo, como  se já estivesse, adentrado
no  século  seguinte, sem o menor contratempo.
Estamos no Terceiro Milênio, e a crendice popular,
ou as crenças religiosas, solapam como nunca  visto
as  mentes  dos homens hodiernos. O direito  de crer
é o mais legítimo de todos, afinal,  somente  a  fé pode
nos dar a força necessária para transpormos barreiras
que  a vida  se nos  oferece.  E isto  acontece no Terceiro
Milênio  da era cristã, com tamanha tecnologia  de  ponta,
ainda assim o ser humano não prescinde do direito de crer,
haja vista a quantidade de templos religiosos espalhados por
este antiquíssimo planeta perneta e; com muitas muletas.
A cura milagrosa do general.



Estaria mesmo operado, e curado o General Roger?
Pela fanfarrice do Pai Rafael, mais conhecido como:
“Pai Rafa”, incorporado pelo espírito de: Spartacus?

Na certeza, Rafa com sua beleza
chafurdava num charco de lama,
enquanto, o general saía da cama.

Deus ama o ser bem-intencionado,
o milagre avança pela fé-esperança,
estando em qualquer pais ou estado,
prostrado, em pé, ou mesmo deitado.
Tão-somente crer sem sentir-se culpado.


General; como se pode constatar pelo óbvio, é

alta patente militar. Estava desenganado, por
causa da sua famigerada doença hepática,
mais precisamente, câncer de fígado,
diagnosticado por seus médicos
renomados e velhos amigos.

O General apelara à cura
mística de Pai Rafael
na desventura
daquela
doença cruel.
Vida depauperada,
pela doença, atribulada.

Nesses momentos cruciais da vida humana,
sem  exceção,  qualquer  ser empafioso desce
do  seu   pedestal   no   desejo  de  preservá-la,
e  livrá-la  da dor. Rafa contava com a força
do seu mentor extrassensorial, a ele leal.


Sim; era aquele Spartacus o soldado forte
mesmo, gladiador romano, um escravo de
nascimento  que fora condenado à  morte,
porém, salvo por um negociante, treinador
de gladiadores que o fez grande na chamada
arte de matar, se a isto se pode chamar de arte.
Que num dado momento se rebela contra
a escravidão etc. Assim narrava com minúcias a vida
do gladiador-mentor, aos seus seguidores e consulentes,
como  se  recebesse essas informações instantaneamente
do mundo astral. Na verdade, Rafa era um pesquisador
ferrenho  e  sensorial  para aliciar as mentes  incautas
de  seus  consulentes.  Porém,  quando alguém  não
achava  lógica  em  um  gladiador  poder  operar
os doentes, ele  logo  explicava  que, Spartacus
era um espírito antigo e com experiências
de  várias reencarnações, exercendo as
atividades médicas em várias delas,
portanto, tornando-se grande
conhecedor de anatomia
humana e suas causas
e efeitos.
Contava também, com outro, advindo do além,
incorporação de Crasso. Inimigo número um
de Spartacus, pois, este ficou encarregado
de  persegui-lo. O  mesmo acontecendo
com  Múmio, tenente  de  sua legião.
Pompeo era outro de seus mentores.

O sacripanta era chegado nos seres do
Lácio, embora, nada tivesse com a raça,
pois, seu nome nada tinha de ítalo. Dava
as mesmas explicações quanto à inimizade
de seus mentores em vidas pregressas, e que
estavam em resgates cármicos, justamente pelas
desavenças anteriores,  portanto,  para ele era fácil
conquistar seus clientes, ganhando-os pelo “grito”.

O vocacionado

Parecia estar escrito nas estrelas o dom maior de Zeca,
o de realizar seus sonhos, e por osmose o de outras pessoas.
Zeca passava horas aprendendo o ilusionismo com o velho Tino.
Após alguns anos, Zeca já estava craque na arte oratória e prestidigitadora,
a de manipular, às vezes a caráter, vestido de fraque. Após longas horas meditativas,
especificamente para sair da pobreza, e chegou às
seguintes conclusões: Inovar, criar, e fazer a diferença,
acrescentando  muito além  da senil mediocridade.
Muitas vezes perguntava a Tino, pois, se querendo
ele prosperar no mundo dos negócios, qual seria o
seu destino, então onde entraria o seu ilusionismo.
Tino, também senil, porém, varonil àquele destino.
Com a  paciência de Jó, explicava  tudo  ao menino.

O velho mágico na sua sapiência lhe dizia enfaticamente:
A mágica  será para atrair as pessoas curiosas pelo mistério
do   desconhecido, e o seu destino é lhes mostrar o seu tino e no
momento  da  ilusão  faça  falar  mais alto o coração à arte oratória,
e esta sim, será a glória do seu caminho ao sucesso à sorte de viver
a sua bem-aventurada glória. Filho meu, que esta seja a sua história.

Aos doze anos de idade era o melhor engraxate
da cidade não perdendo as menores oportunidades.
Fora apelidado de: Mãozinha de Ouro de Alto Quilate.

Para demonstrar seus dotes de comunicador, e
mágico  por  excelência, Zefa e Tino reuniram
esforços  no  elã  de dar-lhe ensino e fazer o
que pudessem ao bom menino. A maioria
de seus clientes aparecia para engraxar
seus sapatos, juntamente com seus
acompanhantes que, esperavam
ver os dotes do garoto prodígio,
que fazia desaparecer carteiras,
às vezes recheadas de dinheiro,
e reaparecer no bolso de outro
companheiro. E o fato deixava
a todos, boquiabertos na bela
estratégia; a qual dava certo.

Às vezes, após seus ilusionismos,
chamava a atenção para assuntos
de grandes acertos, sobre vários
temas que diziam respeito
à honestidade, dinheiro
e equilíbrio emocional.
Orientado por Tino o
grande conselheiro
e  padrasto, o qual
levantava o moral.
Bom  sujeito  era
ele, um brejeiro
companheiro
real.

Zeca era nimbado de um dom excepcional,
era hipnólogo inato. Trazia no sangue este
dom de aplicar seu eflúvio extrassensorial,
o qual, deixava marca profunda na cabeça
de seu  assistente e de todo aquele pessoal.

Na principal praça da cidade, onde Zeca dava
seu  espetáculo,  existia  um enorme armazém
de secos  e  molhados, sem qualquer obstáculo,
representante  legal, dos modernos mercados
atuais, o qual futuramente seria um desses:
“Shopping Center’s”, herança de Francis
aos  filhos e netos por herdade
de verdade moral.

Ah... Francis fora a grande alavanca na vida do garoto.
Simpatizante contundente de suas ações e a ele devoto,
sendo que cotidianamente analisava suas peripécias,
quase não resistindo à curiosidade, volta e meia se dava
engraxando seus pisantes com o garoto prodígio. Certo dia,
conversando  com  o adolescente, ficou pasmo ao ouvi-lo
sobre aquilo que mais o fascinava; empreendimento.
Os olhos de Zeca brilhavam de contentamento,
deixando claro que falava com o exemplo.

Diz-lhe, o garoto:

Seu Francis, já ouvi muito falar do senhor e bem por isto, fiz uma
pesquisa sobre sua vida,  e confesso a minha admiração
pelo seu empreendedorismo, exemplo  a ser seguido  pelo jovem-menino,
pois, aqui  estou ao  compasso  de um mero aprendiz  do destino.
Ah... Se a mim me fosse dado o privilégio
de tê-lo como predecessor, neste colégio.

O velho matinha-se aparentemente frio e calado,
mas  o  sábio Tino  já  havia orientado o enteado
sobre a personalidade de grandes negociantes,
aos quais contatara  nos  negócios circenses
de seus velhos tempos, ao longe passados.
Finalmente ressuscitados e sorridentes.

Francis o analisava com grande curiosidade
esperando um desfecho daquele colóquio
do  jovem.  Nada  demorou para o velho
se  encantar com tamanha sagacidade.

Desculpe-me seu Francis, poderia
discorrer sobre velhos e bons tempos,
e até sobre a usina de energia elétrica, aqui construída 
pelo senhor, iluminando e dando vida às cabeças desta cidade? 
E, ninguém melhor do que o senhor para confirmar esta veracidade.

Era um assunto antigo e, já esquecido da maioria das pessoas
ali do local. Os olhos do velho durão, marejaram em lágrimas,
posto que o assunto lhe trouxesse belas recordações da sua
puberdade, e da bela esposa querida,  e dos queridos filhos
a correr pelo pomar de frutíferas árvores, hoje convertido
em  prédios de moradia.  Sobrando apenas a saudade do
forte rio, agora com suas águas poluídas pelo progresso.
Momentos a relembrarem contratempos da mocidade.

O auspicioso senhor, emocionado, pensou:
Onde esse garoto foi buscar essas informações?
Enquanto, se ouvia no boteco, antigas canções.
E, o jovem sensitivo e hiperativo, continuou:

- Seu Francis, estou lhe aborrecendo com esta
“conversa mole pra boi dormir”, não é verdade?
Lastimo, se estou adentrando em sua privacidade.
Podemos deixar para depois, pois, é uma fala extra.

O velho coçou o queixo quadrado,
com a larga mandíbula, de origem
europeia e retrucou: Continue meu
jovem com suas palavras ambíguas
ao  som  deste  saudosíssimo  fado.
Creio que; não seja veraz panacéia.
Porém, poderá  me aliviar o tédio.

- Zeca, estou fazendo o mesmo que você, embora,
a mim  me seja bem mais cômodo, já que analiso
seus  doze anos de vida, e você faz o mesmo com
meus sessenta e nove anos, tocando em algumas
feridas, na assepsia de reviver adoecidas alegrias.
- Continue meu jovem, continue...

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